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By segunda-feira, setembro 29, 2014 , , ,

Para ouvir ao som de Poison and Wine - The Civil 

- Eu consigo ver dois amores aqui nesse quarto. Dois, ardentes, gritantes, dolorosos e infelizes amores.
Ele sussurrou em meu ouvido, ainda estÔvamos na cama, tinha sido uma longa noite e eu não estava pronta ainda. Poderia dar a ele o meu corpo quantas vezes quisesse, podia dar a ele meus sentimentos para ele usar e abusar, podia dar a ele meus problemas para não ter que lidar com eles, mas não conseguia dar a ele meu amor.
Chegou a certo ponto em que eu passei a acreditar que com um tempo o amor viria, assim como a importância veio. Mas eu não conseguia mais lidar com as indiretas. O único amor que conseguia ver naquele quarto era o que movia a esperança dele.
- Eu estou cega.
Os diĆ”logos eram assim, curtos e grossos, era assim que ele costumava me chamar tambĆ©m. Como se eu fosse uma pedra de gelo que nĆ£o conseguia sentir nada por ninguĆ©m e que só se importava com si mesma.  Mas isso estava errado.
Minha compaixão era enorme, a minha esperança uma das minhas maiores aliadas, o meu carinho por tudo e por todos se mostrava em todos os meus sorrisos, a única coisa que eu não dava de graça, não deixava transparecer era o meu amor.
Ele queria a única coisa que eu não podia o dar. Nunca me disseram que não amar seria quase tão complicado do que não ligar.
Chegou ate aquele ponto. Ponto no qual ele revirou os olhos para mim. Não existem palavras bonitas para descrever o que eu fiz. Porque eu era feliz, mesmo não amando. O amor não deveria ser usado como medidor de carÔter, muito menos como requisito de julgamento.
Apesar de tudo a persistência dele ascendeu algo em mim, eu sentia aquela atração, aquele desejo de tê-lo perto, a vontade de escutar ele me dizer em sussurros que eu era sua, mas isso não pode ser qualificado como amor.
Eu sabia que nĆ£o era justo. Foi por isso que eu peguei minhas roupas do chĆ£o e sai de fininho pela porta dos fundos em quanto ele estava no chuveiro.  NĆ£o era fria o bastante para continuar quebrando o seu coração, eu só nĆ£o conseguia dizer nĆ£o quando ele chamava, quando ele pedia perdĆ£o sabendo que a culpa nĆ£o Ć© sua.  
Não quis que chegasse a esse ponto. Eu não era um mostro. As palavras estavam na minha boca, mas elas nunca conseguiram sair.
Ele veio correndo atrÔs de mim, como se tivesse sentido a minha ausência, ele estava incrivelmente bonito correndo atrÔs de mim como sempre corria, com a o cabelo pingando Ôgua, sua toalha quase caindo no meio da rua, e o desespero em seus olhos.
Eu parei quando ouvi meu nome naquele tom choroso, mas eu não conseguia o encarar nos olhos. Ele passou os seus braços a minha volta, me trazendo aquele conforto, me fazendo sentir aquele amor, me afogando na sua doçura. Eu estava salva nos braços dele e eu implorei em silencio para que ele nunca me soltasse.
- Eu sei que vocĆŖ nĆ£o pode me amar, mas eu nĆ£o posso viver sem vocĆŖ.  Ɖ doentio ate, mas eu preciso de vocĆŖ, mesmo que seja apenas o seu fĆ­sico.
Não foram lagrimas que encheram meus olhos e sim medo. Um medo insuportÔvel e eu não tinha controle, nunca tive. E não era dele, e sim de mim mesma. Sabia que ele me tinha protegida ao seu lado, mas eu não sabia se queria aquilo.
Ele me apertou ainda mais em seu abraço, ele me conhecia melhor do que eu conhecia a mim mesma, para ele eu não era preto e branco, eu era transparente. Eu não podia simplesmente sair de perto e continuar a minha vida fingindo não o ter conhecido, eu não era forte o bastante.
Ainda sim, eu nunca o amaria como ele merece, nunca seria a mulher perfeita, nunca seria o suficiente.

- Eu não te amo, mas sempre amarei.

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1 Amores

  1. Lembro-me de ter passado por algo muito parecido, mas nunca, ao certo, consegui expressar o que senti em não corresponder com o mesmo sentimento. Você conseguiu, parabéns! :)

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